quinta-feira, 3 de setembro de 2009

APRENDENDO A AMAR – UMA LENDA INDIANA

“Diz a lenda que o senhor, após criar o homem e não tendo nada sólido para construir a mulher, tomou um punhado de ingredientes delicados e contraditórios, tais como: timidez e ousadia, ciúme e ternura, paixão e ódio, paciência e ansiedade, alegria e tristeza e assim fez a mulher e a entregou ao homem o como sua companheira.

Após uma semana, o homem voltou e disse:

- Senhor, a criatura que você me deu faz a minha vida infeliz. Ela fala sem cessar e atormenta de tal maneira que nem tenho tempo para descansar. Ela insiste em que lhe dê atenção o dia inteiro... e assim as minhas horas são desperdiçadas. Ela chora por qualquer motivo e fica facilmente emburrada e, às vezes, passa muito tempo ociosa. Vim devolvê-la porque não posso viver com ela.

Depois de uma semana o homem voltou ao criador e disse:

- Senhor, minha vida é tão vazia desde que eu trouxe aquela criatura de volta! Eu sempre penso nela, em como ela dançava e cantava, como era graciosa, como me olhava, como conversava comigo e como se achegava a mim. Ela era agradável de se ver e de se acariciar. Eu gostava de ouvi-la rir. Por favor, dê-me a de volta.

- Está bem, disse o criador.

E a devolveu.Mas, três dias depois, o homem voltou e disse:

- Senhor, eu não sei. Eu não consigo explicar, mas depois de todas estas minhas experiências com esta criatura cheguei a conclusão que ela me causa mais problemas do que prazer. Devolvo-a de novo! Não consigo viver com ela!O Criador respondeu:

- Mas também não pode viver sem ela.E virou as costas para o homem e continuou seu trabalho. O homem desesperado disse:

- Como é que vou fazer? Não consigo viver com ela e não consigo viver sem ela.E arremata o Criador:

- Achei que com as tentativas você já tivesse descoberto que:Amor é sentimento a ser aprendido.

É tensão e satisfação; é desejo e hostilidade; é alegria e dor, um não existe sem o outro. A felicidade é apenas uma parte integrante do amor.

Isto é o que deve ser aprendido. O sofrimento também pertence ao amor. A sua própria beleza e seu próprio fardo. Este é o grande mistério do amor.

Em todo o esforço que se realiza para o aprendizado do amor é preciso considerar sempre a doação e o sacrifício ao lado da satisfação e da alegria. A pessoa terá talvez que abdicar de alguma coisa para possuir ou ganhar outra coisa. Terá talvez que desembolsar algo para obter um bem maior e melhor para sua felicidade.

É como plantar uma arvore em frente a uma janela. Ganha sombra, mas perde uma parte da paisagem. Troca o silencio pelo gorjeio da passarada ao amanhecer.É preciso considerar tudo isso quando nos dispomos a enfrentar o aprendizado do AMOR...”

WILLIAM JARDIM - 8ª SÉRIE 02 (Texto pesquisado)

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